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HBDF faz milésimo transplante de rim

 

Paciente que recebeu o rim passa bem e deve receber alta nesta sexta-feira. Com mais esta cirurgia bem sucedida, Brasília se empenha para tornar-se referência nacional em transplantes

2 de Março de 2012 - 00:00


Evelin Campos, da Agência Brasília

O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) realizou, em 22 de fevereiro, o milésimo transplante de rim por doadores vivos e falecidos. A paciente receptora foi a aposentada Vânia Lúcia Lopes, de 49 anos, que sofria de insuficiência renal crônica. A família do doador, que mora no DF, autorizou o transplante após a morte encefálica do paciente.
     
O transplante foi considerado bem sucedido pela equipe médica do Hospital de Base. Com mais essa cirurgia de alta complexidade, Brasília trabalha para se consolidar como referência nacional em transplantes. A expectativa do secretário de Saúde, Rafael Barbosa, é de que a capital esteja, até o fim de 2012, entre as quatro melhores unidades do país em captação e doação de órgãos.
     
A coordenadora de Transplantes do HBDF, Cristina Lobo, informa que a paciente receptora do rim ainda segue internada para acompanhamento pós-transplante e o rim tem funcionado satisfatoriamente. “Ela está muito bem. É uma pessoa muito alegre e comunicativa”, conta a médica. A previsão é de que a paciente receba alta hoje.
     
Para Cristina Lobo, a chegada ao milésimo transplante de rim pode ser um indicativo da realização de muitos outros em 2012. “Há alguns anos, fazíamos cerca de 80 transplantes por ano, mas, com a falta de investimentos e de vontade política de governos anteriores, esse número caiu para uma média de 40 a 50 operações anuais. Já na atual gestão há um compromisso com os transplantes em nosso sistema de saúde. Estamos otimistas”, acentua a coordenadora.
     
Vida nova – A notícia do surgimento de um rim compatível chegou para Vânia Lúcia Lopes no feriado de Carnaval, quando a aposentada se preparava para sair com o neto. Há apenas um mês na fila de espera, a mineira criada em Brasília não esperava que o fim das sessões de hemodiálise pudesse vir tão rápido.
     
“O que senti foi uma mistura de sentimentos. Primeiro, fiquei angustiada pela morte do doador e por sua família. Depois fui tomada por uma emoção muito forte, de alegria”, relembra Vânia. Nova emoção ao saber que seria a milésima paciente a passar por um transplante de rim no Hospital de Base: “Adorei, porque isso mostra a evolução dos transplantes no DF”.
     
Satisfeita, Vânia, que é mãe de duas filhas, sorri ao falar de seu estado de saúde. “Minhas taxas de creatinina e ureia (substâncias produzidas pelo organismo e eliminadas pelos rins) já estão normais e não sinto nenhum tipo de dor”, comemora Vânia, que vê os três anos de hemodiálise como uma lembrança ruim do passado. “Passava muito mal, vomitava e ficava indisposta durante todo o dia. Eu me sinto outra pessoa”, destaca.
     
Agora a aposentada só pensa em fazer tudo o que não pôde enquanto esteve doente e faz planos ambiciosos para o futuro. “Tinha limitações para tudo, desde a alimentação até para beber água ou sair de casa. Meu objetivo é retomar a faculdade de fonoaudiologia e aplicar esse conhecimento em trabalho voluntário, que me agrada muito”, revela. Vânia também faz questão de chamar a atenção das pessoas para a importância da doação de órgãos para salvar vidas. E se emociona ao falar da família de seu doador: “Só tenho a agradecer a essa família por esse ato de amor. Sei que é um momento difícil para eles e estou rezando por todos”.
     
Doações no DF – Por ano são registradas aproximadamente 20 doações de órgãos no DF. A média mensal de captação de rins de doadores falecidos é de três, de acordo com a Central de Captação de Órgãos do DF. Com isso, são realizados cerca de seis transplantes a cada mês.
     
A coordenadora da Central de Captação de Órgãos, Daniela Salomão, explica que o número de doações tem crescido desde 2004. “Somente em 2011 tivemos 29 doadores e, este ano, as expectativas são de superação em relação ao ano passado”, ressalta a coordenadora.
     
A estimativa se baseia no desempenho satisfatório de doações no primeiro bimestre do ano, com o registro de nove doadores. De janeiro para cá foram executados 84 transplantes, sendo 57 de córnea, 15 de rins, cinco de fígado e sete de coração. A fila de espera para transplantes de coração foi zerada.
     
O aumento do número de doações e transplantes no Distrito Federal é consequência de uma série de investimentos da atual gestão em infraestrutura, logística, capacitação e divulgação. “O transplante é um procedimento altamente complexo, não apenas pela operação em si, mas por todo o processo. E esse governo está dando todo o apoio, com a compra de materiais, um trabalho integrado de logística, treinamentos. Além disso, a questão dos transplantes está sendo mais divulgada, o que estimula a população a doar e se informar”, salienta a coordenadora.
     
Outra grande conquista na área de transplantes foi alcançada ainda em novembro do ano passado, com o credenciamento do DF para a realização de transplantes de fígado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O esforço agora é por consolidar o procedimento na capital do país. “Estamos procurando as pessoas que solicitaram tratamento fora de domicílio e marcando consultas com equipes médicas. O objetivo é viabilizar a transferência da inscrição desse público (na fila de espera) para o DF novamente”, diz Daniela Salomão.
     
Eficiência crescente – O primeiro transplante de rim no DF ocorreu em 1982, no próprio HBDF. O Hospital Regional da Asa Norte (Hran) também realizava procedimentos desse tipo, embora em menor número. Atualmente, existem dois centros habilitados para a operação no DF: o Hospital de Base e o Hospital Universitário de Brasília (HUB).
     
“O Hospital de Base passou por dificuldades, mas hoje possui um serviço consolidado, com um trabalho de excelência para a população do DF e do Entorno. O centro estava descredenciado, mas, com o esforço deste governo, conseguimos recuperar a estrutura”, ressalta o secretário Rafael Barbosa.
     
O Hran não realiza mais a operação, apesar de possuir credenciamento. Rafael Barbosa explica que se trata de uma estratégia para aprimorar ainda mais o atendimento no HBDF e no HUB. “A meta da Secretaria é focar no Hospital de Base. Não precisamos deslocar profissionais para o Hran se temos dois centros que suportam a demanda. O que precisamos é de locais que funcionem melhor a cada dia”, explica o secretário.
     
Interessados em mais informações sobre a doação e a inscrição nas filas de espera podem entrar em contato com a Central de Captação de Órgãos do DF, pelo telefone (61) 3315-1755, que atende 24 horas por dia, sete dias na semana.
     
Número de transplantes realizados em 2012:(Doadores vivos e falecidos)

Tipo de transplante

Número de operações

Coração

07

Rins

15

Fígado

05

Córnea

57

Total

84

 

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